Terra Madre Brasil - Rede Nacional de Comunidades do Alimento

maio de 2008

26/05/2008

Terra Madre

Escrito por Osias Silva

Uma semente que foi semeada no mundo, chegou ao Brasil e se espalhou por todos os Estados. No Amapá foi plantada no ano passado e hoje começa a aparecer às primeiras folhas. São folhas que nascem timidamente, mas ao sentir a sensação da luz flora com força, vigor e vontade de crescer.

As pessoas que buscam entender o papel da Rede Terra Madre para a agricultura familiar, para a inclusão de pequenos produtores em um cenário de discussão maior e que levarem em consideração a importância desse movimento para os frutos de conhecimento que ele oferece, se juntarão para somar e ser parceiros. A esperança que renasce com o trabalho em conjunto, cria um leque de idéias e oportunidade de expor conhecimentos que muita das vezes ficou esquecido no tempo. São valores escondidos em poder dos anciões e que deve ser explorado pelos mais jovens. Um tipo de qualidade de vida que deve ser seguido em um momento em que se vive o caos da má alimentação.

Muitas são as ferramentas usadas para a exploração desse conhecimento. É nos encontros que se expõem através de um intercambio de produtores, estudantes, chefes de cozinha e professores idéias para a apropriação e o beneficiamento da diversidade produtiva e cultural do Estado, do País e do Mundo. Esse ano com a participação dos jovens nas discussões, pretende-se reforçar mais ainda os alicerces da rede e criar vínculos de aproximação com os produtores através de estágios.

A luz aparece, surgem idéias novas, os produtores se estimulam na aplicação de novos métodos, começam a fazerem novos experimentos, recriam um novo modo de pensar e dão mais importância para o que antes era visto como um simples alimento. Essa busca, essa troca de conhecimento estimula o produtor a crescer e valorizar o que consome.
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Osias é o coordenador da Comunidade da Castanha do Maracá (AP) e inicia agora sua participação no Youth Food Movement (Movimento dos Jovens pelo Alimento).

21/05/2008

Usina de Natmel abre panorama de mercado para o mel das abelhas nativas

Escrito por Murillo Drumond

Uma revolução silenciosa acontece numa pequena região semi-árida do nordeste do Maranhão. Após anos de experiência no desenvolvimento de uma tecnologia apropriada para o uso sustentável das abelhas nativas, a Associação Maranhense Para a Conservação da Natureza- AMAVIDA e o Fórum de Articulação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Integradas ao Projeto Abelhas Nativas –FATTRIP resolveram encarar o desafio e fundaram a primeira unidade processadora de produtos da sociobiodiversidade das abelhas nativas que se tem notícia.

Ao contrário da tradicional Casa do Mel, a Usina de Natmel, incorpora as experiências acumuladas em anos de atividades produtivas com o mel das abelhas nativas (natmel), onde o mesmo é submetido a um processo de maturação peculiar, que dá ao produto um paladar único, com identidade geográfica marcante. Além do natmel, outras surpresas inovadoras emergem da Usina, como o natpólen, utilizado no tempero de saladas, ou o vinho de caju, com identidade própria na mão de cada fabricante.

A “Usina” é o primeiro passo de libertação dos meliponicultores comunitários do Projeto Abelhas Nativas, que entram no mercado, como donos do próprio negócio. É o teste final para que num futuro próximo seja construída uma promissora cooperativa.

19/05/2008

Festival da Castanha – Confira a Programação

O Festival da Castanha criado há quatro anos e faz parte da comemoração dos bons frutos coletados no período da safra. É o momento em que extrativistas, pequenos agricultores, ribeirinhos, compradores de castanha, instituições não governamentais e governamentais se reunem para juntos fazerem a maior festa do Assentamento. Sem perder as tradições como: corrida de canoa, quebra de ouriço (fruto da castanheira), concurso de piadas, comidas típicas feitas à base de castanha e culto em honra a São Tomé.

 

O IV Festival da Castanha, que se realizará nos dias 06, 07 e 08 de junho de 2008, na comunidade de Vila Maracá, Município de Mazagão – AP. Confira a Programação. Clique para ler o texto completo »

14/05/2008

Os Encantos de Maracá

Escrito por Osias Silva

Maracá mantém vivo a cultura, as tradições e as belezas naturais. Caracteriza-se pelas festas e fé de um povo que tem São Tomé e Nossa Senhora da Conceição como santos protetores. Um rio aonde o seu leito conduz a produção da castanha, do açaí, sustenta muitas famílias com seus peixes e exibe o encanto da suas cachoeiras e quedas d’água para quem vive lá ou visita-o. Uma fauna e flora exuberante de onde os extrativistas extraem de maneira sustentável parte do que consomem. É do castanhal, do açaizal, do rio, da agricultura familiar, das festas e da fé, que sobrevivem muitas famílias no Assentamento Agro-extrativista do Maracá.

Castanha do Brasil Doçuras do Maracá O Festival da Castanha criado há poucos anos, faz parte da comemoração dos bons frutos coletados no período da safra. É o momento em que se reunem extrativistas, pequenos agricultores, ribeirinhos, compradores de castanha, instituições não governamentais e governamentais para juntos fazerem a maior festa do Assentamento. Sem perder as tradições como: corrida de canoa, quebra de ouriço (fruto da castanheira), concurso de piadas e comidas típicas feitas à base de castanha.

Um povo que ao longo dos anos trazem a fé como instrumento indispensável para sua sobrevivência. São Tomé na Vila Maracá e Nossa Senhora da Conceição no Igarapé do Lago, juntos mobilizam a maioria da população para o maior gesto de adoração e solidariedade daquela região. Promessas, devoções, procissões e visitas nas comunidades do assentamento fazem parte da rotina no período das festas religiosas.

O mesmo rio que serve como caminho no meio da floresta, também possui seus encantos naturais. São mais de 32 cachoeiras e quedas d’águas ao longo do curso natural. Esconde embaixo de suas águas um berçário gigantesco de biodiversidade. Entre eles os mais cobiçados para a pesca esportiva como: o tucunaré, a pirapitinga, o jaú e o pintado. Suas pedras polidas revelam o gigantismo daquelas águas.

Sua floresta é considerada uma das mais preservada do Estado. É só andar pela região para perceber as maravilhas que se esconde ao longo do Rio Maracá. Essa permanência em parte é mantida graças à população que defendem a floresta como sendo o bem mais precioso. Porém pagam um preço muito alto, a falta de assistência técnica, médica, educacional e cultural. Tornando-os isolados com seus tesouros naturais.

O IV Festival da Castanha será realizado entre os dias 06 e 08 de Junho, na comunidade de Vila Maracá, Município de Mazagão, Estado do Amapá.

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Osias Silva é membro da Comunidade da Castanha do Maracá (AP)

12/05/2008

Centralidade dos Alimentos

Escrito por Carlo Petrini

Qual é o valor dos alimentos? As coisas cotidianas muitas vezes, precisamente pela sua presença constante nas nossas vidas, tendem a ser subestimadas. Apercebemo-nos apenas quando se apresenta um elemento de crise, quando os nossos hábitos se alteram.

Quem luta todos os dias por procurar alimentos não precisa de discursos sobre a importância da centralidade dos mesmos nas nossas vidas: deve fazer contas cada vez que o sol se ergue. A abundância no entanto – ou melhor, o hábito da abundância – não permite a muitos viverem conscientes do fato que os alimentos não são apenas uma questão de sobrevivência, mas a expressão do que somos, da nossa sociedade, o reflexo ou a causa de pequenos e grandes problemas que nos rodeiam.

Desde que a indústria agro-alimentar se afirmou como nosso principal fornecedor esta consciência desapareceu, entregue nas suas mãos, para a transformar em fonte de lucro. Mas o lucro não segue as regras da natureza, e esta incompatibilidade está se tornando um fator de insustentabilidade explosivo.

Um outro valor dos alimentos, neste caso “econômico”, está a incrementar: o preço do trigo aumentou como nunca, os aumentos de consumo de carne em nível global (em países que não estavam habituados a ter esse estilo alimentar) e o boom dos biocombustíveis estão entre as principais causas de um aumento de preços que não dá sinais de descida e que começa a criar tensões sociais tanto no Norte quanto no Sul do mundo.

Isto aconteceu porque nos esquecemos do valor do ato de nos alimentarmos e do que representa. O seu caráter sagrado foi menosprezado, baixando ao nível de um qualquer produto de consumo que segue as regras de uma economia de mercado anti-natural.
Recolocar a alimentação no centro das nossas vidas é um ato de grande responsabilidade, para além de ser um favor que fazemos a nós próprios. Significa começar a pensar juntos, aprender a partilhar saberes e a agir conscientes de um destino global. Um destino que parte do nosso íntimo: do que decidimos colocar no prato, das sementes que escolhemos plantar nos nossos campos. São necessárias novas responsabilidades, derivadas de uma renovada centralidade da alimentação nas nossas vidas: as comunidades do Terra Madre sabem disso muito bem e é o que a Rede Terra Madre tem o dever de fazer o resto do mundo entender.

Carlo Petrini é o Presidente Internacional do Slow Food. Este texto foi publicado no editorial da Newsletter Terra Madre.

10/05/2008

Terra Madre 2008

A terceira edição do Terra Madre acontecerá em Turim de 23 a 27 de Outubro de 2008, em paralelo ao Salone del Gusto (Salão do Gosto). O encontro mundial da rede Terra Madre reunirá durante quatro dias comunidades do alimento, chefes de cozinha, docentes e jovens provenientes de todo o mundo empenhados em trabalhar para promover uma produção alimentar local, sustentável e respeitosa dos métodos herdados e consolidados no tempo.

Este ano a rede reforça-se graças ao movimento de jovens empenhados na defesa de produtos tradicionais e da cultura alimentar, o Youth Food Movement, lançado por ocasião do V Congresso Internacional do Slow Food. O Youth Food Movement nasceu de uma ideia de estudantes da Universidade de Ciências Gastronômicas e do Slow Food EUA e é constituído por um grupo de alunos de campus americanos, jovens produtores, chefes de cozinha e ativistas. O objetivo é conseguir envolver, até ao final de Outubro, mais de 1000 jovens de todo o mundo, que se juntarão às comunidades do alimento provenientes de cinco continentes, a 5000 agricultores, criadores, pescadores, artesãos e transformadores, 1000 chefes de cozinha e 400 representantes do mundo acadêmico para reforçar os anéis de uma cadeia que, nos últimos anos, se tornou cada vez mais forte: a rede Terra Madre.

Mais informações sobre o encontro serão publicadas em breve neste site. Alternativamente, entre no site do Terra Madre clicando aqui.

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