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16/08/2009

Contaminação do milho transgênico já é realidade no Paraná

Fonte: Terra de Direitos

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) do Paraná enviou na última segunda-feira (10) uma nota técnica a diversos órgãos do Governo Federal para alertar que a contaminação de transgênicos nas lavouras de milho (convencionais e orgânicas) é inevitável. De acordo com a nota, as normas editadas para evitar a contaminação são insuficientes, da mesma forma que a fiscalização e o cumprimento da legislação ao longo da cadeia produtiva do milho.

A partir de um trabalho de monitoramento de lavouras do Paraná, feito principalmente nos municípios de Toledo, Campo Mourão, Cascavel (Cinturão do Milho Safrinha), a Seab constatou “a impossibilidade dos órgãos federais no cumprimento da resolução número 4 da CTNBio, de 2007, que estabelece a distância de 20 metros entre os cultivos de milho convencional e milho transgênico”, como afirmou o comunicado oficial. Diferente da soja, o milho é uma planta de polinização aberta, o que torna impossível a criação de normas que impeçam o pólen de se espalhar entre as lavouras.

Além do cumprimento das normas, a Seab afirma que não existem formas de segregação do milho ao longo da cadeia produtiva, o que impede o monitoramento do material geneticamente modificado e a rotulagem dos produtos. “Podemos consumir milho transgênico sem nem mesmo saber”, questiona a assessoria jurídica da Terra de Direitos.

De acordo com a advogada Larissa Packer, o monitoramento do milho transgênico no Paraná foi feito “a partir de uma preocupação das organizações da agricultura familiar de que o milho transgênico liberado contaminasse as variedades de milho crioulo cultivadas por várias gerações”. Com a contaminação, o melhoramento genético feito de forma natural pelos agricultores ao longo de diversas gerações está em risco. “No Paraná, existem sementes de milho que passam de geração a geração há mais de 80 anos. Muito além de uma semente vital para a alimentação do brasileiro, está em risco um patrimônio social e cultural das comunidades agrícolas”.

No Paraná, já existem relatados diversos casos de contaminação pelos transgênicos desde a entrada ilegal da soja. Na safra 2006/2007, nas regiões de Medianeira e São Miguel do Iguaçu no PR, os agricultores tiveram seus contratos de exportação de soja orgânica rescindidos por conta da contaminação, além da perda do selo pela matéria prima diferenciada. Com a contaminação do milho, são esperadas perdas irreparáveis aos agricultores.

Desde a liberação do milho transgênico pela CTNBio, organizações da sociedade civil, produtores, cooperativas e empresas têm dialogado com o governo para que ele garanta a coexistência entre as lavouras de milho convencional e orgânica das lavouras com semente geneticamente modificada. A liberação do milho e as normas editadas também são questionadas juridicamente pela ANPA, ASPTA, IDEC e Terra de Direitos, que movem desde 2007 uma ação contra a liberação das sementes de milho transgênico, desenvolvido pelas empresas multinacionais Bayer, Syngenta e Monsanto.

A partir da constatação de insuficiência das normas de isolamento editadas pela CTNBio, da ausência de qualquer política de segregação e rastreabilidade do milho OGM e do sensível aumento das aplicações de agrotóxicos em lavouras transgênicas, as organizações pretendem discutir de quem é a responsabilidade por todos os problemas trazidos pela tecnologia transgênica.

Leia mais sobre Transgênicos, Biodiversidade e Soberania Alimentar no site do Terra de Direitos.

4 Comentários

  • 1. vasco zugno aguzzoli  |  17.08.09 às 7:41

    O Parana é a nossa ultima zona de resistencia no ambito estadual.

    Esperamos que resista. Isto é tão importante quanto o investimento que a syngenta, a monsanto, a microsoft e a fundação ford, fizeram no alaska – eles guardam lá as sementes do amanhã. Sabem que o futuro do planeta esta na originalidade das sementes. è no mínimo curioso que os promotores da destruição do planeta e vendedores dos trangênicos e seus desdobramentos tóxicos, sejam os conservadores das sementes originais de cada bioma terrestres em um museu trilhonário no alaska.

    Sou militante, dirigente de um movimento social que atua em comunidades rurais e urbanas no nordeste do Brasil.

    Vasco – Via do Trabalho

  • 2. Transgênicos Não!  |  17.08.09 às 6:38

    É um absurdo que o governo esteja a fechar os olhos para a contaminação dos transgênicos. Só através de nossas compras podemos influenciar o que os produtores vão plantar.
    Abs

  • 3. Hailton Ferreira de Araújo  |  4.09.09 às 3:45

    Apoiado, Vasco.

    Inclusive, a CTNbio deveria ser investigada, uma CPI ou qualquer outra forma de responsabilizá-los, já que não justifica estarmos na contramão da história recente, pois os países de origem dessas empresas, onde os defensivos produzidos por elas são proibidos tem sofrido derrotas na justiça.
    Profissionalmente as pessoas com compõem essa comissão devem se sentir um lixo, tal qual os produtos e empresas que eles endossaram. Espiritualmente acho bom nem comentar. Pois comprometem suas almas até à última geração…

  • 4. Paulo Andrade  |  23.10.09 às 10:28

    Caros.
    Os dados da SEAB do Paraná mostraram ser um conjunto pouco ou nada científico, sem qualquer base real. Assim, o que foi feito foi apenas semear a discórdia. Não houve qualquer contribuição real à questão da forma como os genes (transgenes) poderiam se disseminar na prática agronômica.
    A oposição a uma tecnologia deve ser baseada em fatos, em nao em boatos. Aguardemos até que dados concretos com metodologias claras sejam apresentados antes de dizer que a coexistência é impossível. Enquanto isso não ocorrer, é melhor darmos aos agricultores do país o direito de escolha.

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