Textos publicados em 'Terra Madre'
14.05.08
Escrito por Osias Silva
Maracá mantém vivo a cultura, as tradições e as belezas naturais. Caracteriza-se pelas festas e fé de um povo que tem São Tomé e Nossa Senhora da Conceição como santos protetores. Um rio aonde o seu leito conduz a produção da castanha, do açaí, sustenta muitas famílias com seus peixes e exibe o encanto da suas cachoeiras e quedas d’água para quem vive lá ou visita-o. Uma fauna e flora exuberante de onde os extrativistas extraem de maneira sustentável parte do que consomem. É do castanhal, do açaizal, do rio, da agricultura familiar, das festas e da fé, que sobrevivem muitas famílias no Assentamento Agro-extrativista do Maracá.
O Festival da Castanha criado há poucos anos, faz parte da comemoração dos bons frutos coletados no período da safra. É o momento em que se reunem extrativistas, pequenos agricultores, ribeirinhos, compradores de castanha, instituições não governamentais e governamentais para juntos fazerem a maior festa do Assentamento. Sem perder as tradições como: corrida de canoa, quebra de ouriço (fruto da castanheira), concurso de piadas e comidas típicas feitas à base de castanha.
Um povo que ao longo dos anos trazem a fé como instrumento indispensável para sua sobrevivência. São Tomé na Vila Maracá e Nossa Senhora da Conceição no Igarapé do Lago, juntos mobilizam a maioria da população para o maior gesto de adoração e solidariedade daquela região. Promessas, devoções, procissões e visitas nas comunidades do assentamento fazem parte da rotina no período das festas religiosas.
O mesmo rio que serve como caminho no meio da floresta, também possui seus encantos naturais. São mais de 32 cachoeiras e quedas d’águas ao longo do curso natural. Esconde embaixo de suas águas um berçário gigantesco de biodiversidade. Entre eles os mais cobiçados para a pesca esportiva como: o tucunaré, a pirapitinga, o jaú e o pintado. Suas pedras polidas revelam o gigantismo daquelas águas.
Sua floresta é considerada uma das mais preservada do Estado. É só andar pela região para perceber as maravilhas que se esconde ao longo do Rio Maracá. Essa permanência em parte é mantida graças à população que defendem a floresta como sendo o bem mais precioso. Porém pagam um preço muito alto, a falta de assistência técnica, médica, educacional e cultural. Tornando-os isolados com seus tesouros naturais.
O IV Festival da Castanha será realizado entre os dias 06 e 08 de Junho, na comunidade de Vila Maracá, Município de Mazagão, Estado do Amapá.
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Osias Silva é membro da Comunidade da Castanha do Maracá (AP)
12.05.08
Escrito por Carlo Petrini
Qual é o valor dos alimentos? As coisas cotidianas muitas vezes, precisamente pela sua presença constante nas nossas vidas, tendem a ser subestimadas. Apercebemo-nos apenas quando se apresenta um elemento de crise, quando os nossos hábitos se alteram.
Quem luta todos os dias por procurar alimentos não precisa de discursos sobre a importância da centralidade dos mesmos nas nossas vidas: deve fazer contas cada vez que o sol se ergue. A abundância no entanto – ou melhor, o hábito da abundância – não permite a muitos viverem conscientes do fato que os alimentos não são apenas uma questão de sobrevivência, mas a expressão do que somos, da nossa sociedade, o reflexo ou a causa de pequenos e grandes problemas que nos rodeiam.
Desde que a indústria agro-alimentar se afirmou como nosso principal fornecedor esta consciência desapareceu, entregue nas suas mãos, para a transformar em fonte de lucro. Mas o lucro não segue as regras da natureza, e esta incompatibilidade está se tornando um fator de insustentabilidade explosivo.
Um outro valor dos alimentos, neste caso “econômico”, está a incrementar: o preço do trigo aumentou como nunca, os aumentos de consumo de carne em nível global (em países que não estavam habituados a ter esse estilo alimentar) e o boom dos biocombustíveis estão entre as principais causas de um aumento de preços que não dá sinais de descida e que começa a criar tensões sociais tanto no Norte quanto no Sul do mundo.
Isto aconteceu porque nos esquecemos do valor do ato de nos alimentarmos e do que representa. O seu caráter sagrado foi menosprezado, baixando ao nível de um qualquer produto de consumo que segue as regras de uma economia de mercado anti-natural.
Recolocar a alimentação no centro das nossas vidas é um ato de grande responsabilidade, para além de ser um favor que fazemos a nós próprios. Significa começar a pensar juntos, aprender a partilhar saberes e a agir conscientes de um destino global. Um destino que parte do nosso íntimo: do que decidimos colocar no prato, das sementes que escolhemos plantar nos nossos campos. São necessárias novas responsabilidades, derivadas de uma renovada centralidade da alimentação nas nossas vidas: as comunidades do Terra Madre sabem disso muito bem e é o que a Rede Terra Madre tem o dever de fazer o resto do mundo entender.
Carlo Petrini é o Presidente Internacional do Slow Food. Este texto foi publicado no editorial da Newsletter Terra Madre.
10.05.08
A terceira edição do Terra Madre acontecerá em Turim de 23 a 27 de Outubro de 2008, em paralelo ao Salone del Gusto (Salão do Gosto). O encontro mundial da rede Terra Madre reunirá durante quatro dias comunidades do alimento, chefes de cozinha, docentes e jovens provenientes de todo o mundo empenhados em trabalhar para promover uma produção alimentar local, sustentável e respeitosa dos métodos herdados e consolidados no tempo.
Este ano a rede reforça-se graças ao movimento de jovens empenhados na defesa de produtos tradicionais e da cultura alimentar, o Youth Food Movement, lançado por ocasião do V Congresso Internacional do Slow Food. O Youth Food Movement nasceu de uma ideia de estudantes da Universidade de Ciências Gastronômicas e do Slow Food EUA e é constituído por um grupo de alunos de campus americanos, jovens produtores, chefes de cozinha e ativistas. O objetivo é conseguir envolver, até ao final de Outubro, mais de 1000 jovens de todo o mundo, que se juntarão às comunidades do alimento provenientes de cinco continentes, a 5000 agricultores, criadores, pescadores, artesãos e transformadores, 1000 chefes de cozinha e 400 representantes do mundo acadêmico para reforçar os anéis de uma cadeia que, nos últimos anos, se tornou cada vez mais forte: a rede Terra Madre.
Mais informações sobre o encontro serão publicadas em breve neste site. Alternativamente, entre no site do Terra Madre clicando aqui.
2.03.08
O novo site mostra o crescimento e as atividades da rede desde o primeiro Terra Madre em 2004, expondo o trabalho que tem sido feito pelas comunidades do alimento em função do alimento bom, limpo e justo em todo o mundo.
As seções Vozes (Voices) e Projetos (Projects), que são atualizadas regularmente, contam histórias inspiradoras sobre o trabalho diário dos participantes do Terra Madre, enquanto a seção Áreas Temáticas (Thematic Áreas) é dedicada às oficinas online relacionadas com a enorme gama de temas do Terra Madre, tanto gerais como específicas.
Detalhes das edições passadas e futuras do Terra Madre poderão ser encontrados na seção Encontros (Meetings), como o Terra Madre 2008 que será realizado entre 23 e 27 de Outubro em Turin, na Itália, em paralelo com o Salão do Gosto.
O site está disponível atualmente em Inglês e Italiano e brevemente estará apresentado em 8 línguas.
http://www.terramadre.info